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Fluxo de caixa projetado: o método de 90 dias para nunca mais ser pego de surpresa

Leandro BarcelosCEO da Financier BPO Contábil4 min de leitura
Capa do artigo: Fluxo de caixa projetado: o método dos 90 dias

Fluxo de caixa projetado é a previsão semana a semana de tudo o que vai entrar e sair da conta da empresa nos próximos 90 dias, com base em contratos, contas a receber, contas a pagar e recorrências. Ele mostra com antecedência em que semana o dinheiro vai faltar ou sobrar, para você decidir antes, e não depois.

"Fatura bem, mas o caixa nunca sobra" é a frase que abre metade das conversas de diagnóstico na Financier. Quase sempre o problema não é falta de dinheiro, é falta de previsão. Este guia ensina a montar um fluxo de caixa projetado de 90 dias, em uma tarde, e a ler o que ele mostra.

Fluxo de caixa realizado x projetado

O fluxo de caixa realizado é o extrato organizado: o que entrou e saiu. Ele conta o passado. O fluxo de caixa projetado é a previsão do que vai entrar e sair nas próximas semanas, com base em compromissos já assumidos e em estimativas. Ele conta o futuro, e é o único dos dois que permite agir antes do problema.

Por que 90 dias (e não 30 nem 12 meses)

Trinta dias é pouco: quando a projeção mostra o buraco, já não há tempo de negociar. Doze meses é chute: ninguém sabe as vendas de daqui a dez meses. Noventa dias, ou treze semanas, é o horizonte em que os compromissos são conhecidos (contratos, parcelas, folha, impostos) e as vendas ainda são estimáveis. É o padrão usado em reestruturação financeira justamente por ser confiável.

O que entra na projeção: 8 fontes de informação

  1. Saldo inicial: o dinheiro em conta hoje, somando todas as contas.
  2. Contas a receber: cada título com data prevista de recebimento, não a de vencimento. Se o cliente costuma atrasar 15 dias, projete com 15 dias.
  3. Meta de vendas: para o que ainda não foi vendido, use a média dos últimos três meses ajustada pela sazonalidade.
  4. Contas a pagar: fornecedores, com data de vencimento.
  5. Recorrências: aluguel, sistemas, energia, internet, contabilidade, seguros.
  6. Folha e encargos: salários no dia 5, FGTS no dia 20, INSS no dia 20, e o 13º em novembro e dezembro.
  7. Impostos: DAS no dia 20, ISS e retenções, IRPJ e CSLL trimestrais no Presumido.
  8. Empréstimos e investimentos: parcelas e compras planejadas.

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Passo a passo para montar a primeira versão em uma tarde

PassoO que fazer
1Abra uma planilha com 13 colunas, uma por semana, começando na semana atual
2Na primeira linha, o saldo inicial de hoje
3Lance as entradas por semana: recebíveis confirmados e estimativa de vendas
4Lance as saídas por semana: contas a pagar, recorrências, folha, impostos, parcelas
5Calcule o saldo final de cada semana (saldo inicial + entradas - saídas) e leve para a semana seguinte
6Marque em vermelho toda semana em que o saldo final ficar abaixo do saldo mínimo
7Atualize toda segunda-feira: substitua a estimativa pelo realizado e empurre o horizonte uma semana

Como ler: saldo mínimo, semana crítica e folga

  • Saldo mínimo é o colchão que a empresa quer manter na conta (por exemplo, o valor de uma folha). Abaixo dele, acende o alerta.
  • Semana crítica é a primeira semana em que o saldo projetado fica abaixo do mínimo. Ela é o prazo que você tem para agir: antecipar um recebível, negociar um vencimento, segurar uma compra.
  • Folga é a soma do que sobra acima do mínimo nas 13 semanas. É o que pode virar investimento, distribuição de lucro ou quitação de dívida cara.

Os 5 erros que fazem a projeção mentir

  1. Otimismo nas vendas. Projetar a meta em vez da média realista. Use a média e trate a meta como cenário à parte.
  2. Esquecer o que vence de vez em quando. 13º, férias, IPTU, IPVA, seguro anual, IRPJ trimestral. São os itens que "surpreendem" todo ano.
  3. Usar data de vencimento em vez de data real de recebimento. Cliente que paga com atraso é regra, não exceção.
  4. Misturar conta pessoal com a da empresa. Retirada do sócio é saída e precisa estar na projeção.
  5. Montar uma vez e abandonar. Projeção parada em duas semanas vira ficção. A atualização semanal é o que faz o método funcionar.

Fluxo de caixa e DRE gerencial respondem a perguntas diferentes: um diz se vai faltar dinheiro, o outro diz se a empresa dá lucro. Os dois juntos são o painel mínimo de qualquer negócio. Quando o dono é a pessoa que atualiza a planilha, é sinal de que o financeiro pode ser terceirizado: veja BPO financeiro: o que é. Na Financier BPO Contábil, o fluxo de caixa de 13 semanas faz parte do BPO para prestadores de serviço e restaurantes em Brasília.

Perguntas frequentes

O fluxo de caixa mostra dinheiro entrando e saindo; a DRE mostra receita e despesa do período, mesmo sem pagamento. Os dois se complementam.

Base legal e fontes

  • Prática gerencial
  • Sebrae: gestão financeira

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