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Médicos e clínicas

Médico PJ vale a pena em 2026? Simulação pessoa física x pessoa jurídica com números reais

Leandro BarcelosCEO da Financier BPO Contábil4 min de leitura
Capa do artigo: Médico PJ vale a pena em 2026? Simulação PF x PJ

Para a maioria dos médicos, ser PJ vale a pena a partir de cerca de R$ 10 mil de faturamento mensal. Como pessoa física, o IR chega a 27,5% mais INSS. Como PJ no Simples Nacional com Fator R, a carga fica entre 6% e 15,5%, com lucros distribuídos sem imposto. A economia costuma superar o custo da contabilidade já no primeiro trimestre.

"Vale a pena abrir PJ?" é a pergunta que todo médico faz ao receber a primeira proposta de trabalhar por CNPJ, e ela volta a cada mudança de lei. Em 2026, com a nova isenção do IRPF e a tributação de dividendos altos, a conta mudou de novo. Este artigo refaz a simulação com números reais, para três faixas de faturamento, e mostra quando não vale a pena.

A conta da pessoa física: IR progressivo, INSS e carnê-leão

Um médico que recebe como pessoa física (plantões por RPA, consultório particular, cooperativa) paga:

  • INSS: 20% sobre o rendimento como contribuinte individual, limitado ao teto (cerca de R$ 8.157 em 2026, o que dá uma contribuição máxima em torno de R$ 1.631 por mês). Quando o tomador é PJ, ele retém 11% e paga a parte patronal.
  • Imposto de Renda: tabela progressiva, com isenção até R$ 5 mil por mês em 2026 e alíquota marginal de 27,5% acima de cerca de R$ 4.664 de base. Para rendimentos recebidos de pessoa física (pacientes particulares), o recolhimento é mensal pelo carnê-leão.
  • Deduções: as despesas do consultório podem ser deduzidas no livro-caixa, o que reduz a base do IR (mas não o INSS).

Na prática, um médico com R$ 25 mil por mês de rendimento e R$ 5 mil de despesas dedutíveis paga cerca de R$ 1.631 de INSS e em torno de R$ 4.200 de IR: perto de 23% do rendimento.

A conta da PJ: Simples (Anexo III ou V), Presumido e o Fator R

Como PJ, o médico tem três caminhos:

  • Simples Nacional, Anexo III, quando a folha (incluindo pró-labore) é igual ou maior que 28% da receita: alíquota inicial de 6%, chegando a cerca de 11% efetivos em R$ 25 mil mensais. É o Fator R.
  • Simples Nacional, Anexo V, quando a folha fica abaixo de 28%: alíquota inicial de 15,5%.
  • Lucro Presumido: cerca de 11,33% de tributos federais mais ISS (2% a 5% em Brasília, conforme o serviço), totalizando 13,3% a 16,3%. Com equiparação hospitalar, a parte federal cai para perto de 5,9%.

Sobre o lucro que sobra depois desses impostos, a distribuição ao sócio é isenta de IR até R$ 50 mil por mês.

Simulação: R$ 10 mil, R$ 25 mil e R$ 50 mil por mês

Premissas: médico atuando sozinho, SLU, pró-labore ajustado ao Fator R, custos de PJ (contabilidade, certificado, taxas) de R$ 800 por mês. Valores aproximados, para mostrar a ordem de grandeza.

Faturamento mensalPessoa física (INSS + IR)PJ Simples Anexo III (DAS + INSS/IR do pró-labore + custos)Economia mensal da PJ
R$ 10.000cerca de R$ 2.300 (23%)cerca de R$ 1.900 (19%)R$ 400
R$ 25.000cerca de R$ 5.800 (23%)cerca de R$ 4.400 (18%)R$ 1.400
R$ 50.000cerca de R$ 12.700 (25%)cerca de R$ 8.900 (18%)R$ 3.800

Em R$ 10 mil, a economia é pequena e depende dos custos reais da PJ; é o ponto de virada. A partir de R$ 15 mil a vantagem fica clara, e em R$ 50 mil ela passa de R$ 45 mil por ano.

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Custos de manter a PJ que ninguém conta

  • Contabilidade mensal.
  • Pró-labore com INSS (11% do sócio) e, fora do Simples, 20% patronal.
  • Certificado digital anual.
  • Taxas de registro e alvarás.
  • Tempo: emitir nota, enviar documentos, aprovar pagamentos. Com o escritório certo, isso vira 20 minutos por mês.

Esses custos estão embutidos na simulação acima. O que costuma derrubar a vantagem da PJ é o pró-labore muito alto sem necessidade, ou a contabilidade que não faz a gestão do Fator R e deixa a empresa cair no Anexo V.

O que mudou em 2026: dividendos altos e imposto mínimo

Desde janeiro de 2026, lucros acima de R$ 50 mil por mês, pagos pela mesma empresa ao mesmo sócio, têm 10% de IR retido, e quem tem renda anual acima de R$ 600 mil entra no imposto mínimo. Para o médico que retira até R$ 50 mil por mês da PJ, nada muda. Para quem fatura mais que isso, a estratégia de retirada precisa ser planejada, como explicado em Tributação de dividendos em 2026. Mesmo nesse cenário, a PJ continua vantajosa em relação à pessoa física, porque o imposto mínimo tem teto de 10% e o IRPF chega a 27,5%.

Quando NÃO vale a pena abrir PJ

  • Faturamento abaixo de R$ 8 mil a R$ 10 mil por mês, dependendo dos custos.
  • Vínculo com um único tomador que exige horário, subordinação e exclusividade: aí o correto é CLT, e a PJ é risco trabalhista para os dois lados.
  • Residência médica ou bolsa: não é receita de serviço.
  • Quem não vai emitir nota nem manter a contabilidade em dia: PJ abandonada gera multa.

Médico não pode ser MEI; a estrutura certa é a SLU, explicada em SLU para médicos. A Financier BPO Contábil roda esta simulação com os números reais de cada médico no diagnóstico gratuito, em Brasília ou online, e cuida da abertura e do IRPF depois. Conheça a página de contabilidade para médicos.

Perguntas frequentes

Não. Atividades regulamentadas como medicina são vedadas ao MEI. O caminho é a Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) ou uma Ltda.

Base legal e fontes

  • LC 123/2006 (Anexos III e V)
  • Lei 15.270/2025
  • Tabela IRPF 2026

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