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Restaurantes e food service

Reforma Tributária para bares e restaurantes: a redução de 60% e o que fazer em 2026

Leandro BarcelosCEO da Financier BPO Contábil4 min de leitura
Capa do artigo: Reforma Tributária para restaurantes: redução de 60%

Bares, restaurantes e hotelaria terão redução de 60% na alíquota padrão de IBS e CBS, o que leva a carga estimada para cerca de 10,6% em vez de 26,5%. Em troca, não geram crédito para o cliente. Bebidas alcoólicas e açucaradas pagam ainda o Imposto Seletivo. Empresas do Simples só sentem os efeitos a partir de 2027.

O setor de bares e restaurantes conseguiu um dos tratamentos mais favoráveis da Reforma Tributária: redução de 60% na alíquota de IBS e CBS. Ao mesmo tempo, ganhou um imposto novo sobre bebidas e perdeu o crédito para o cliente corporativo. Este artigo explica o que muda para o dono de restaurante em Brasília, regime por regime, e o que fazer em 2026.

O que o setor conseguiu: a alíquota reduzida explicada

A Lei Complementar 214/2025 incluiu "serviços de alimentação fornecidos por bares, restaurantes, lanchonetes e similares" e a hotelaria na lista de setores com redução de 60% da alíquota de referência de IBS e CBS. Com a alíquota de referência estimada em 26,5%, a alíquota efetiva do setor fica perto de 10,6%.

Para comparar: um restaurante no Lucro Presumido paga hoje 3,65% de PIS/Cofins e ICMS de 18% a 20% sobre a venda (com crédito limitado das compras). Um restaurante no Simples paga pelo Anexo I, de 4% a 19% conforme o faturamento, com tudo embutido. A Reforma aproxima o regime regular do que o Simples já oferece, o que muda a conta para quem fatura acima da faixa mais alta do Simples.

A contrapartida: sem crédito para o cliente PJ

Quem usa alíquota reduzida não gera crédito de IBS e CBS para o cliente. Isso afeta o restaurante que vende para empresas: refeições corporativas, eventos, fornecimento por contrato, vale-refeição de empresa. Esse cliente não vai poder abater o imposto da nota do restaurante, o que hoje ele faz parcialmente com o PIS/Cofins.

Para o restaurante que vende ao consumidor final (a grande maioria), a contrapartida não tem efeito prático.

Imposto Seletivo em bebidas: impacto no cardápio

A partir de 2027, o Imposto Seletivo incide sobre bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas, entre outros produtos, na saída do fabricante ou importador. O restaurante não recolhe o IS, mas compra a bebida mais cara, porque o imposto vem embutido no preço do fornecedor. Como a bebida responde por 25% a 40% do faturamento de bares e por parcela relevante do de restaurantes, a margem dessa categoria precisa ser recalculada. O caminho é revisar a ficha técnica e o preço de cada item, tema de CMV de restaurante.

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Restaurante no Simples Nacional: o que muda em 2027

Situação20262027 em diante
Restaurante no SimplesNada muda; sem destaque de IBS/CBS na NFC-eIBS e CBS entram no DAS no lugar de PIS/Cofins e, gradualmente, do ICMS; tabela do Anexo I continua
Restaurante no Presumido ou RealDestaque informativo de CBS 0,9% e IBS 0,1% na NFC-e, sem cobrançaAlíquota reduzida em 60%, crédito das compras, IS embutido nas bebidas
Cliente empresarialSem mudançaDeixa de receber crédito de restaurante com alíquota reduzida

Para o restaurante do Simples, o cálculo do DAS continua pelo Anexo I. Detalhes em Simples Nacional para restaurantes. Restaurantes que faturam perto do teto de R$ 4,8 milhões devem simular o regime regular com a alíquota reduzida: em alguns casos ele passa a ser mais barato que a faixa alta do Simples.

Delivery e apps: como o IBS e a CBS entram na conta do iFood

A venda pelo iFood continua sendo venda do restaurante ao consumidor: a NFC-e sai pelo valor cheio do pedido e o IBS e a CBS incidem sobre ele, com a alíquota reduzida. A comissão que o iFood cobra é um serviço prestado ao restaurante e, no regime regular, gera crédito de IBS e CBS para o restaurante (o que hoje não acontece com o PIS/Cofins cumulativo). Ou seja, no regime regular, a Reforma reduz um pouco o custo líquido das taxas dos apps. A conciliação continua sendo o ponto crítico, como explicado em Contabilidade do iFood.

Plano de preparação em 4 etapas para 2026

  1. Simular o regime com as regras de 2027: Simples Anexo I x regime regular com alíquota reduzida, usando o faturamento real e o mix de salão, delivery e bebidas.
  2. Mapear fornecedores: no regime regular, comprar de quem gera crédito integral passa a valer mais; e o IS das bebidas exige renegociação com distribuidores.
  3. Atualizar PDV e emissor: NFC-e com os campos de IBS, CBS e IS, cadastro de produtos com a classificação tributária correta.
  4. Revisar cardápio e preço: ficha técnica atualizada com o custo novo das bebidas e a margem por categoria.

A Financier BPO Contábil atende restaurantes, bares e dark kitchens em Brasília e já roda essas simulações no diagnóstico gratuito. Veja a página de contabilidade para restaurantes e o guia geral em Reforma Tributária 2026: o que muda.

Perguntas frequentes

Depende do regime atual. Quem está no Lucro Presumido ou Real tende a ganhar com a redução de 60%. Quem está no Simples mantém a tabela atual.

Base legal e fontes

  • LC 214/2025 (redução de 60% para alimentação)
  • Abrasel

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