O regime tributário define como a empresa calcula os impostos. Simples Nacional reúne tudo em uma guia com alíquota por faixa de faturamento (até R$ 4,8 milhões). Lucro Presumido tributa um percentual fixo da receita como lucro (8% ou 32%). Lucro Real tributa o lucro efetivo. A escolha certa depende de faturamento, margem, folha e tipo de cliente.
A escolha do regime tributário é a decisão que mais muda o imposto de uma empresa, e ela é feita uma vez por ano, em janeiro. Este guia compara Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, mostra os seis fatores que decidem e traz exemplos para clínica, restaurante, indústria e prestador de serviço.
Os três regimes em uma tabela
| Simples Nacional | Lucro Presumido | Lucro Real | |
|---|---|---|---|
| Quem pode | Receita até R$ 4,8 milhões/ano e atividade permitida | Receita até R$ 78 milhões/ano | Qualquer empresa; obrigatório acima de R$ 78 milhões e para bancos, entre outros |
| Como calcula | Alíquota por faixa de receita dos últimos 12 meses, em uma guia (DAS) | IRPJ e CSLL sobre percentual presumido da receita; PIS/Cofins cumulativos; ISS ou ICMS por fora | IRPJ e CSLL sobre o lucro contábil ajustado; PIS/Cofins não cumulativos; ISS ou ICMS por fora |
| Alíquotas típicas de serviço | Anexo III: 6% a 33%; Anexo V: 15,5% a 30,5% | 11,33% a 14,53% sobre a receita + ISS de 2% a 5% | 34% sobre o lucro + 9,25% de PIS/Cofins sobre a receita, com créditos, + ISS |
| Obrigações acessórias | Menores (PGDAS, DEFIS) | Médias (ECF, EFD-Contribuições, DCTF) | Maiores (ECD, ECF, LALUR, SPED completo) |
| Quem costuma ganhar | Pequena empresa que vende para pessoa física; serviço com folha alta (Fator R) | Serviço com margem alta e folha baixa; clínicas com equiparação hospitalar | Empresa com margem baixa, muitos créditos ou prejuízo |
Simples Nacional: quando é imbatível e quando engana
O Simples reúne IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, INSS patronal, ICMS e ISS em uma guia. Para comércio (Anexo I, a partir de 4%) e indústria (Anexo II, a partir de 4,5%) com faturamento moderado, é difícil vencê-lo. Para serviços, a história depende do Fator R: com folha de pelo menos 28% da receita, a empresa cai no Anexo III (6% inicial); abaixo disso, no Anexo V (15,5% inicial).
Onde ele engana: uma empresa de serviço com folha baixa, no Anexo V, pode pagar mais que no Presumido a partir de R$ 30 mil por mês de faturamento. E o Simples não gera crédito integral de IBS e CBS para o cliente a partir de 2027, o que pesa para quem vende para empresas.
Lucro Presumido: a conta que muita empresa de serviço deveria fazer
No Presumido, a Receita presume que o lucro é 32% da receita para serviços (8% para comércio e indústria) e cobra IRPJ (15%, mais 10% sobre o que passar de R$ 60 mil de lucro presumido no trimestre) e CSLL (9%) sobre essa base. Somando PIS e Cofins cumulativos (3,65%), o total federal para serviços fica entre 11,33% e 14,53% da receita, mais o ISS do município (5% na maior parte dos serviços em Brasília).
Para uma clínica com receita alta e procedimentos, a equiparação hospitalar reduz a presunção de 32% para 8% no IRPJ e 12% na CSLL, e o Presumido fica muito abaixo do Simples.
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Lucro Real: obrigatório para alguns, vantajoso para outros
O Lucro Real tributa o lucro que a contabilidade apura, com ajustes. É obrigatório para receita acima de R$ 78 milhões e para alguns setores. É vantajoso quando a margem é pequena (indústria com custo de matéria-prima alto, distribuidor, varejo de margem apertada) ou quando a empresa tem prejuízo, porque prejuízo não paga IRPJ e pode ser compensado depois. Exige contabilidade completa e rigorosa; o custo de conformidade é maior.
Os 6 fatores que decidem (faturamento, margem, folha, cliente PF/PJ, créditos, Reforma)
- Faturamento: define se cabe no Simples e em qual faixa.
- Margem: margem alta favorece Simples ou Presumido; margem baixa favorece Real.
- Folha: no Simples, define o anexo pelo Fator R.
- Cliente PF ou PJ: cliente empresarial quer crédito; a partir de 2027 isso pesa contra o Simples puro.
- Créditos: empresa que compra muito insumo com imposto aproveita crédito no Real e, com a Reforma, no regime regular.
- Reforma Tributária: a partir de 2027 a conta muda; vale simular já com as regras novas. Veja Simples Nacional na Reforma.
Exemplos: clínica, restaurante, indústria e prestador
- Clínica com R$ 150 mil/mês, dois médicos sócios e procedimentos: Presumido com equiparação hospitalar tende a vencer o Simples Anexo III.
- Restaurante com R$ 120 mil/mês: Simples Anexo I (a partir de 4%) costuma ser imbatível; acima de R$ 300 mil/mês, simular o Presumido. Veja Simples Nacional para restaurantes.
- Indústria com R$ 400 mil/mês e margem de 12%: Simples Anexo II na faixa alta pode perder para o Presumido ou para o Real, e a Reforma favorece o regime regular pelo crédito amplo.
- Prestador de serviço de TI com R$ 40 mil/mês e folha baixa: Simples Anexo V (15,5%) perde para o Presumido (cerca de 16,3% com ISS de 5%, mas com lucro distribuído de forma mais flexível); com folha ajustada para o Fator R, o Simples Anexo III volta a ganhar.
A opção é feita em janeiro e vale o ano inteiro; mudar no meio do ano só em casos específicos. Por isso a Financier BPO Contábil roda a simulação de todos os clientes entre outubro e dezembro, em Brasília e no restante do Brasil, e para empresas novas na abertura, como descrito em Como abrir empresa em Brasília.
Perguntas frequentes
Base legal e fontes
- LC 123/2006
- Lei 9.249/1995 (presunção)
- LC 214/2025
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